Quando começamos a produzir conteúdos para qualquer tipo de finalidade: mídias, sites, blogs, nos esbarramos sempre na mesma coisa: criatividade é um dom ou uma habilidade a ser desenvolvida?

Para começar a falar sobre essa questão, vamos usar sua imaginação:  imagine que hoje você vai trabalhar em uma fábrica manuseando um equipamento técnico que exige prática e conhecimento. Ninguém nasce sabendo operar uma empilhadeira, por exemplo, e por isso você provavelmente fará um curso e, em um ano, vai operar a máquina no automático.

Voltando para a sua criatividade, você não vai precisar de um curso, mas vai se utilizar da prática. Ou seja, quanto mais você produz, mais consegue ter ideias. Parece uma frase motivacional ou paradoxo, mas a verdade é que a criatividade é uma habilidade a ser desenvolvida e deve ser desenvolvida.

O que a trend do Wes Anderson ensina sobre repertório

No ano passado, tivemos a hype da “trend do Wes Anderson”, um fenômeno viral de vídeos, tanto no TikTok como no Instagram, em que as pessoas reimaginavam cenas do cotidiano como se o diretor as tivesse filmado. O cineasta americano se baseia em uma metodologia teatral muito controlada, em que pesquisa e referência são essenciais para criar mundos do zero, usando simetria, cores e roteiros que transformam conversas informais em atos semelhantes aos de teatro.

Cito essa trend como exemplo por se tratar da aplicação da criatividade e referência muito bem inseridas. Aliás, esse é um excelente exercício para o dia a dia, ou seja, buscar repertório e recriar a partir disso. Estamos falando em cópia? Não, estamos abordando buscar coisas que te agradem: um filme, uma estética, uma arte, um pôr do sol. Algo que inspire e te faça começar a criar.

Como transformar repertório em conteúdo?

Sou uma nutricionista querendo criar conteúdos sobre introdução alimentar. Eu posso começar a anotar perguntas que mães me fazem sobre o assunto, posso assistir a vídeos de outras profissionais falando sobre isso e posso também buscar em pesquisas novas evidências científicas ou novas abordagens desse assunto. A partir dessa pesquisa, eu penso: “O que achei mais interessante sobre esse assunto?” e desenvolvo um texto. Com essa referência pronta, posso ramificar e transformá-la em diversos formatos: um vídeo, um carrossel, uma postagem de blog, enfim, o universo se torna maior!

Para concluir e te ajudar: ao pensar em criação de conteúdo, comece com repertório, siga para pesquisa e siga para a produção propriamente dita.

Faça um exercício prático: por 7 dias, anote 3 referências por dia (uma imagem, uma frase, uma cena). No fim da semana, escolha uma e transforme-a em um post.

Se quiser me marcar no @renatapoa, vou ficar feliz em ler seu conteúdo!



Em 2015, eu comecei um pequeno projeto pessoal, o Poá Amarelo: um blog de moda e lifestyle em que o foco principal era o apoio à minha pesquisa sobre o consumo dentro dos blogs de moda.


Alguns anos depois, dei uma pausa na escrita desse blog, abri uma agência digital especializada em produção de conteúdo, estratégia e marketing digital. E, de lá para cá, construí e criei marcas: conteúdos institucionais, artigos para sites abordando diversos temas, posicionamento, branding, organização da comunicação de empresas e projetos. Tive a oportunidade de viajar por várias cidades do país, acompanhando o dia a dia de empresários e marcas, mas sempre criando para os outros.

Em 2026 me bateu uma nostalgia, queria voltar a criar conteúdo autoral:  produzir fotos, vídeos e, claro, escrever. Isso tudo trazendo essa bagagem profissional junto comigo. São mais de 10 anos de experiência somados à minha paixão por escrever. E com a vontade de compartilhar tudo o que aprendi.

Há poucos meses venho criando um perfil do zero, mostrando como é a criação de conteúdo e como qualquer um pode fazer. Aliás, preciso fazer um parêntese sobre isso: em 2018, na minha dissertação de mestrado, falei um pouco sobre como a chegada dos blogs no final dos anos 1990 e início dos anos 2000 foi responsável pela democratização do conteúdo. Se antes precisávamos de canais tradicionais como jornais, TV, mídia impressa, entre outros, para a transmissão de informações, o blog conferiu uma liberdade editorial: ele possibilitava o compartilhamento de conhecimento de forma livre, bastava um acesso a um computador e, mais importante, a oportunidade de pessoas como você e eu de se expressarem.

O ato de “blogar” é o de compartilhar, transmitir ideias, pensamentos e sentimentos. Aliás, o termo blog vem de “weblog”, criado em 1997 pela junção de web com log, o diário de bordo onde os navegadores registravam velocidade, distância e tudo o que acontecia na viagem. Ou seja, ao blogar, você está construindo o seu diário de navegação pela internet.

Por que um blog, se já existe Instagram?

As redes sociais são ótimas para encontrar pessoas, mas não são nossas: as regras mudam, o alcance oscila e o conteúdo some no feed em poucas horas. O blog é diferente. É um espaço próprio, onde o texto fica, pode ser encontrado no Google anos depois e tem tempo para ir além de um gancho de três segundos.

Mas, Renata, por que escrever um blog em 2026? Qual sentido disso? 

E eu te respondo, meu caro leitor: em 2026 estamos tão abarrotados por informações, sejam das redes sociais, sejam das mídias tradicionais, que o que deu o start a tudo isso se perdeu um pouco, ou muito. Os conteúdos autorais e experimentais ficaram de lado. E sim, eu sei que tem muita gente recriando e que as novas gerações têm trazido de volta a vontade de tempos mais analógicos e da nostalgia, vamos colocar assim. Assim, criar um conteúdo que é autêntico, original e experimental, até certo modo, me dá um ânimo gigantesco.

O que o leitor vai encontrar aqui?

Por aqui, vou falar sobre criação de conteúdo, escrita, estratégia e os bastidores de construir uma presença do zero: o que funciona, o que não funciona e o que aprendi em mais de 10 anos criando para marcas.

Então seja bem-vindo a uma nova era: um Poá Amarelo Blog