A proposta do see now, buy now” já está em prática na nossa São Paulo Fashion Week há pelo menos 1 ano e desde então eu me questiono muito a respeito do sistema. Assim como a expressão que significa ” veja agora compre agora” , a proposta é que peça que você vê na passarela seja colocada a venda entre algumas horas e poucos dias após o desfile. Aqui no blog eu comentei sobre isso quando a prática entrou na semana de moda mas, o incomodo gerado por ela não passou.

Somos todos tão ansiosos que não somos capazes de esperar a estação chegar para  comprar e usar aquela peça?

Muitos dirão que a tecnologia aliada a produção acelerada nos proporcionou o sistema, outros dirão que era tão chato esperar para poder ter aquela peça mas, eu te pergunto será que o see now, buy now” não deu escape a nossa ansiedade e o desejo de compra ao qual somos bombardeados o tempo todo? Ao entrar nos blogs, youtube, facebook, e outras redes sociais somos o tempo todo lembrados dos nossos desejos, seja por meio daquela pesquisa que você fez a respeito de uma mesa, seja da curtida na foto da roupa de uma marca. A internet é uma facilidade, uma tecnologia e claro uma porta para o conhecimento mas é também um lembrete, como se fosse um post it amarelo fluorescente, que constantemente nos diz “compre isso”. E como ignorar?

Acredito que é normal querer a peça que estamos vendo no desfile, é normal também compra-la, o que me incomoda é esse imediatismo criado pela proposta. No calor da emoção compramos para depois nos arrependemos. Lembra-se em 2013 que havia fila de espera nas marcas pelo tênis inspirado no da  Isabel Marent? Pois é, ele causou furor no nosso mercado, e o modelo ficou em alta por quase um ano. Até marcas como a Nike se renderam a fabricar tênis com plataforma. No ano passado vimos outro furor da moda, a coleção do Karl Lagerfeld para Riachuelo, mas dessa vez foi diferente, quem assistia ao vivo o desfile pode obter as peças na passarela, e quem assistia a transmissão pode ver a multidão invadindo a passarela para tocar as peças. No dia seguintes as lojas receberam a coleção e vimos também uma venda em massa, itens esgotados em horas.  E nunca mais se falou da coleção.  Talvez nesse caso, esperar fosse um bom marketing.

Nesse momento em que se fala tanto em um mercado de moda justo, sustentável e privilegiando a todos em termos de estilo, possibilidades, consumo e trabalho esse tipo de sistema é um tanto quanto arbitrário.

E você o que acha do see now, buy now?

 

Author

Write A Comment