Moda: Para Pensar

Os Padrões da Moda

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Essa semana está correndo pela internet um desabafo legítimo de uma ex-modelo. Entre outros pontos ela ressalta a exigência pelo peso e medida ideal, denuncia abusos morais e claro fala do outro lado do mercado de moda: os bastidores. Enquanto as revistas, os estilistas e as marcas fazem um discurso de que a moda é para todos, incluem o plus size e incentivam o individualismo ainda existem relatos contrários que comprovam que não, a moda não é para todos. E não vai ser enquanto nós consumidores, criadores e amantes do mercado não darmos um basta nisso.

Sonho de Gisele

O sonho de se tornar modelo intencional que tem, aparentemente, a vida perfeita continua e moças do mundo inteiro se submetem a profissionais, não tão profissionais assim. Já houveram inúmeras denúncias a respeito de drogas, prostituição e nos casos “mais leves” doenças relacionadas a alimentação e nada foi feito. Agências paralelas continuam a funcionar, agentes despreparados selecionam meninas de qualquer forma, castings para desfiles e outros trabalhos são extremamente competitivos e claro meninas continuam a se sacrificar por um sonho acreditando que tudo o sofrimento resultará no sucesso. Porém , sabemos que não é bem assim, muitas meninas jamais desfilam fora do país, contratos são cortados do dia para noite e muitas nem chegam a desfilar.

O que podemos fazer?

Como consumidor você pode deixar de comprar em uma marca x ou y  que foi denunciada seja por trabalho escravo ou por maus tratos mas não é isso que vai resolver. Na verdade, o que é necessário é pressionar o mercado como um todo, que um esteja de olho no outro e que as agências, olheiros e bookers sejam preparados para seleção, acolhida das jovens profissionais e aconselhamento. Nada adianta trazer de uma ponta do país uma meninas que chegará em São Paulo ou Rio de Janeiro sem ter como se estabelecer, sem trabalhos em vista e com o sentimento de isolamento. Do ponto de vista de criador ou marca é necessário escolher agências que sejam corretas, ou seja que deem esse suporte a suas modelos. Como pais e responsáveis por essas meninas e meninos é extremamente importante prepara-los para o mercado, informar  como é e quais sacrifícios são e serão feitos para atingir uma carreira longa e ter em mente que nem todos chegam no topo.

Por Fim

Necessitamos rever os padrões estéticos e não aceitar nada menos do que o saudável, afinal de contas se quem compra e veste a roupa não é  extremamente magro porque quem desfila é exigida ser?

 

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Moda: Para Pensar

Propaganda é a Alma do Negócio

Há tempos ando notando que as publicações de moda encolhem, e são reduzidas sem mudar seus volumes. Como isso acontece? Propaganda! Engana-se caro(a) leitor(a) se você presume que esse fenômeno só acontece no Brasil. Veja só a Vogue francesa no mês de setembro: Detectei 100 páginas de publicidades antes de começar realmente os assuntos da edição. Se você considerar que a revista possui 364 páginas sendo 188  de publicidade o conteúdo verdadeiro é reduzido a 176 páginas.

propEm meio a diversas fotos provocantes e bem pensadas a publicidade acaba se misturando e tirando o foco das matérias. Por outro lado, os editoriais de moda são projetados sem interrupções, 70 páginas de puro conteúdo.

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Afinal porque tanta propaganda?

As publicações sempre tiveram em seus anunciantes o apoio financeiro, e é sabido que essas propagandas eram e ainda são muito bem selecionados, faço um parêntesis pois os anunciantes são marcas como Louis Vuitton, Chanel, Dior, entre outras; Com a desaceleração das vendas em papel, os grupos editoriais precisaram abrir mais espaços em suas publicações.

Uma vez dito isso

Pondero que o leitor sim perde o conteúdo. Em seus dias gloriosos a Vogue tinha muito mais do que imagens de moda, lembra da frase de Andy Sachs de ” O Diabo veste Prada” que a publicação continha também entrevistas com pessoas como Christiane Amanpour. Pois é, pura realidade. Em tempos de realities as grandes entrevistas marcam celebridades, atrizes e cantoras do momento. Nada contra mas, é tão lindo ler e se inspirar com reportagens contendo grandes histórias.

E eu com isso?

Os leitores participam de uma nova fase de imprensa, a busca por conteúdos específicos e isso gera os views e pesquisas a blogs fatiados, ou seja, especializados a um conteúdo. E voilá! você se encontra aqui.  A imprensa por sua vez cria seus blogues, suas fatias e participa de tudo isso. É a verdadeira democratização da informação!

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Moda: Para Pensar

Os jogos do Rio e os “gringos”

A general view of the Olympic Stadium during the Ibero American Athletics Championship, test event for Rio 2016 Olympic Games, in Rio de Janeiro on May 15, 2016. / AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBAYASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images

Os jogos olímpicos trouxeram ao Rio e ao Brasil muita visibilidade como era o esperado. E o que pensamos que ia ser o enfoque, o esporte, cede nas revistas e publicações de moda internacional o lugar para perguntas um tanto quanto bizzaras: ” Porque comer um balde de açaí?” ; ” O que as modelos brasileiras comem para manter a forma”; ” Quais são as brasileiras mais bonitas?” e a manchete mais incrível de todas ” Moda brasileira vai muito além da parte de baixo do Biquini”. Matéria na qual as brasileiras mais bonitas e representativas de todos os tempos são apresentadas.

A cada dia novas reportagens surgem como uma espécie de decodificação do ” Brazil Way of Life” em que produtos, alimentos e roupas consumidos por brasileiras são inumerados. Sem contar os momentos em que nossas modelos são analisadas e biografadas.

E a pergunta que não calar é : será que somos um país tão mistico ao olhar dos nossos amigos “gringos”?

Na verdade, chamamos atenção pela riqueza de nossa fauna e flora. Além disso somos um país amigável, multicultural e que sim oferece ao mundo não só mulheres bonitas e modas ousadas, mas também um mercado criativo.

As publicações acabam dando destaque a marcas nacionais e regionais a fim de fazer um guia para seus conterrâneos aproveitarem o melhor do Rio durante sua estadia. O que falta mesmo é um pouco mais de aprofundamento de pauta, afinal o Brasil é muito grande e nem tudo se representa por uma região específica do país.

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Moda: Para Pensar

O Futuro da Moda

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Vivemos em um momento de transição e mutação econômica, social, ambiental e valores pessoais. Vivemos também um momento em que a tecnologia contempla novas formas de nos relacionar.  É  natural que procuremos mais respostas para o futuro,  e no setor de moda isso não é diferente, a obtenção das respostas vem das empresas e pesquisadores responsáveis pela análise de mercado, buscando olhar também para o lado social, ambiental e tecnológico.

E qual é o futuro? Os pesquisadores apontam que o setor de moda será mudado de forma a atingir em 2030 novos parâmetros, isto é, visualiza-se  que a individualização e personalização dos produtos vão dominar o mercado. Com a evolução da revolução da tecnologia, internet e redes sociais o consumidor passa a ter papel maior na industria, ele se transforma em designer, fornecedor e consumidor elevando sua experiência no consumo.  Além disso, com uma tecnologia mais acessível os produtos de qualidade e produção pequena se tornarão mais baixos em níveis econômicos.

O consumidor também terá maior influência na industria, a conversa entre os dois será mais afinada. Seus desejos e ideias serão atendidos pelo mercado que por sua vez trabalhará de forma mais rápida para entregar o produto final. Os profissionais da área terão uma maior qualificação e remuneração aquecendo o setor com novos talentos e especialistas.

Falando em números, atingiremos 1,8 bilhão de consumidores e uma renda de 64 trilhões de dólares anuais. E os países já responsáveis pela manufatura de bens continuarão em evidencia e liderança.

Um belo cenário que se concretizado necessita de apoio de políticas ambientais para que esse consumo se torne sustentável ao planeta, mas isso é conversa para outro post!

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Moda: Para Pensar

Qual Importância da Moda?

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Faz algum tempo que leio muitas criticas ao mercado de moda, muitas delas dirigidas a área da comunicação. Ninguém sai ileso mas, eu te proponho uma pequena reflexão sobre o que é moda.

No início o homem se cobriu porque precisava se proteger das intempéries do clima, outra possibilidade  é o pudor. Com o tempo aprendemos que a vestimenta pode servir para outras coisas, como por exemplo, para hierarquia. Pense em general e como suas roupas são diferentes dos demais soldados.

E como chegamos ao ponto em que estamos? A população cresceu, novas tecnologias surgiram, como os teares modernos depois das revoluções industriais, as  próprias industrias cresceram. A moda mudou e forma de fazer também. Coleções anuais  viraram bianuais e depois o processo acelerou para o fast fashion em que 15 em 15 dias as coleções chegam as lojas.

Desde  o meio dos anos 2000 temos consciência que esse processo não vai se sustentar, tentamos o eco fashion, agora pensamos em slow fashion e provavelmente pensaremos em outra coisa para desacelerar e proteger o meio ambiente.

Pensar em moda é pensar em consumo e dinheiro, ele é o 2° maior setor industrial do pais, perdendo para o setor alimentício. Você sabia que a produção brasileira têxtil é de aproximadamente 2.249 toneladas e que corresponde a 3% da produção mundial? Nós somos o 4° país em produção de vestuário e ficamos atrás da China, Índia e Paquistão.

Então onde eu quero chegar com tudo isso? O consumo e a futilidade podem aparecer em todas as áreas, quem define isso é você caro leitor. Que se posiciona e que escolhe o que é melhor. A moda tem sua beleza e poética mas como tudo na vida tem seu lado não tão belo. Cabe a cada um escolher o seu equilíbrio.

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Moda: Para Pensar

Reflexão: Veja e Compre AGORA

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Nos últimos tempos ouvimos que ” a moda mudou”, ” as semanas de moda mudaram” e o clássico ” a internet revolucionou o mercado”.

A verdade é que a tecnologia aliada a nós, consumidores, internautas, blogueiros e usuários de redes sociais; contribuiu para que houvessem alguns avanços. Somos capazes de encontrar qualquer produto no mundo. Quer uma blusa do personagem do seriado? É só pesquisar na internet, diversos fornecedores e preços aparecerão. Os desfiles e as semana de moda, antes voltada a profissionais da área e convidados chegavam a população por meio das editoriais, revistas especializadas e programas de tv. Hoje, 1 segundo após o desfile encontramos diversas imagens espalhadas no Instagram, Facebook,  sites de revistas e etc. As roupas  demoravam aproximadamente 06 meses para chegar as lojas e as coisas iam bem. Será?

O anuncio recente do SPFW do tal ” See now, Buy Now” no bom e velho português ” Veja agora, Compre agora”;  vai de encontro ao pensamento de muitas marcas de moda como Burberry e Tom Ford. O ” Veja agora, Compre Agora” nada mais é do que a quebra da espera, ou seja, após os desfiles, ou apresentação da coleção, as peças ficam disponíveis para a compra.

Mas, não é tudo lindo no mundo da moda! Algumas marcas como Gucci são totalmente contras a essa estratégia. Raf Simons, ex diretor criativo da Christian Dior, também foi voz ativa em dizer que também é contra.

Pensando como criadora, e faço um parêntesis, porque fiz a graduação de moda e trabalhei na área, esse processo acelera também o criador. Pois, tudo tem que estar pronto muitos antes, a produção começa antes. Como consumidor acredito que é muito interessante o acesso ao produto com maior velocidade. Mas como pensadora não posso deixar de questionar: será que o mundo de instantaneidade, possivelmente atrelado as inovações tecnológicas, nos deixou consumidores inquietos e ansiosos?

Existem teóricos que afirmam que as redes sociais, os blogueiros e influenciadores digitais tornaram a vida das revistas de moda mais difíceis. A informação gerada por eles é quase instantânea e a  velocidade de propagação é alta. Tudo isso nos deixou viciados na rapidez, adoramos ver tudo em tempo real e passamos a ficar muito mais entediados.

Termino esse artigo com uma pergunta para você leitor: O que vai acontecer daqui 10 ou 20 anos nessa passo? Será que esse sistema novo vai se sustentar por muito tempo? Será que vamos ter mais coleções em um ano?

Pensando em pesquisadores de grandes universidades que apontam que o futuro são menos coleções, menos consumo e descarte rápido, acredito na luz no fim do túnel. Ou seja, no equilíbrio entre tudo isso. E você?

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